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Assento do poder

Na hora do remanejamento dos assentos dos 577 deputados que compõe a Assembleia Nacional, um olhar diferente sobre o Palais Bourbon e seus mistérios.

Um dia, um pombo se perdeu e entrou na sala para espanto dos deputados. Foi um custo fazer a ave que tinha uma visão panorâmica dos que representam o país, deixar o recinto. As más línguas disseram que, por uma vez, acontecia algo na Assembleia Nacional onde, no entanto, os nomes de aves não são todavia raros…
É um monumento no qual se entra com precauções dignas de um aeroporto. Portas eletrônicas, revista do vestuário, não se brinca em serviço. No hall, os deputados debatem sob o olhar de Mirabeau e de Casimir Périer. As estátuas dos dois homens, que já devem ter ouvido poucas e boas, permanecem de mármore. Esta tarde, o hemiciclo está vazio. O silêncio impõe respeito. Estas paredes ressoam com os debates, as desavenças. Uma gigantesca tapeçaria napoleônica está situada por cima do puleiro. Não conte para ninguém: o autor destas linha se sentou na poltrona rotativa do Presidente da Assembleia. Breve instante de fantasia. Na frente, tem a fila dos ministros. Passeio entre os assentos. Nas escrivaninhas, os eleitos têm um cartão de visita com seu nome, alguns com uma foto sua. Georges Pompidou, que era do Cantal, tem a sua placa. Notamos também os lugares que ocuparam Pierre Mendès France e Jacques Chaban-Delmas. François Mitterrand tinha o número 516.
No andar de cima, ao qual acedemos graças a um elevador antigo, se encontram as tribunas de imprensa. Eis um lugar que dá tempo ao tempo, porque encontramos os bancos da ORTF e do Matin de Paris, orgãos de comunicação desaparecidos há muito. O bar está em obras. O quiosque de jornais já não vende cigarros. Antigamente era permitido fumar na sala das colunas. Não tarda nada, vocês vão ver, os deputados já não poderão tirar sonecas durante as sessões noturnas. O escritório dos correios emprega vinte e sete pessoas. Trata-se aqui do correio, cujo volume equivale ao de uma cidade como Orléans. Em todos os lugares, há corredores e escadas: « fazem vinte e seis anos que aqui estou e ainda hoje descubro uns que não conhecia », confesso um oficial de diligências. Deve ser o único lugar onde essa palavra - oficial de diligência /  justiça - não causa uma certa ansiedade. Vitrines que contém bustos de Marianne (figura feminina que simbolisa a França). A biblioteca tem dicionários ao metro, uma coleção do Diário Oficial e até mesmo - aviso aos amadores - uma obra intitulada La Soutenabilité sociale dans les pays du Sud (A Sustentatilidade Social nos Países do Sul).
É o edifício mais cobiçado do momento. A província focaliza nos seus bancos, nas suas poltronas forradas com veludo vermelho. Lá fora, o rio Sena corre debaixo de uma ponte. Já conheceu outros tempos. Último detalhe: porque é que a estação de metrô só foi rebatizada Assemblée Nationale em 1989, quando a mudança de nome efetiva da instituição data de 1946 ? O que é que não estava bem na Câmara dos Deputados ? Insondáveis mistérios da administração.

Texto : Éric Neuhoff
Fotos : Thierry Bouët




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