Desde 1997, o concept store criado por Colette, com a sua filha Sarah, maravilha os fashionistas do mundo inteiro. Visita privada.

No andar da moda masculina, jaqueta Moncler Gamme Bleu, camisa Thom Browne, short Comme des Garçons.
Colette acaba de fazer 15 anos. Está em plena adolescência esta boutique-laboratório da rue Saint-Honoré, tão bem implantada na fraternidade parisiense e que se tornou quase mítica. Colette, é uma loja de design, uma livraria de arte, da moda dos criadores de vanguarda e das coleções " capsules " (compostas de algumas peças em série limitada) de costureiros. É também uma galeria de arte, tem uma cantina num " water bar ", uma " beauty shop " de produtos especiais, assim como as últimas novidades high-tech, labels de músicas independentes e a edição das compilações da casa. Tudo isso numa superfície de 700 m2 e três vastas plataformas, das quais uma é um jardim-terraço. Confidencia-se que os clientes da Colette são tão variados como os leitores de Tintin. Os clientes fiéis são sobretudo parisienses, mas não só. Vêm do mundo inteiro fazer suas compras, descobrir uma exposição...
Mas quem está por trás da Colette ? A própria Colette ! Uma mulher visionária, com a sua filha Sarah. Gerenciando está a mãe, a direção artística fica a cargo da filha. As duas são ávidas de novidades, exigentes e muito presentes. Nos bastidores trabalham uma centena de pessoas, com um núcleo de gente que está na loja desde o início. Mãe e filha são tão discretas que chega a parecer um requinte codificado. Captar o ar do tempo, é para Sarah " ser o mais aberta possível. Não há uma regra para as escolhas, é sempre instintivo. Também não há a pretensão de encontrar coisas exclusivas. Basta saber sentí-las e associá-las durante um tempo ". A boutique tem, no entanto, linhas às quais é fiel, como as coleções de tênis, de tee-shirts de artistas, tendo sempre como regra de ouro a qualidade da fabricação.

Por trás das caixas registradoras, obras de Julia Chang e a edição limitada das mini-cadeiras assinadas por Reed Krakoff.
Todos os domingos, por ocasião da mudança de vitrines, o rigoroso equilíbrio dos posicionamentos é repensado. Uma equipe reduzida remaneja toda a arrumação da boutique. Ela desestrutura, mistura o que a Sarah chama de " as peças do puzzle " para criar um novo jogo e dar uma outra chave de leitura. O famoso ponto de vista da Colette. Aqui, mãe e filha dão mais do que uma vista de olhos. Supervisionam tudo nos mínimos detalhes. Na segunda-feira antes da abertura, como todas as manhãs às 11 horas, uma brigada de jovens vendedores "na onda" retoma posse de cada setor como se fosse um novo território. " Colette, é um ambiente, um todo, continua Sarah. Um equilíbrio conseguido com todas as entidades da boutique reunidas. Um lugar muito dinâmico, com apenas um senão, os livros. Apesar das nossas duas mesas grandes com livros, não podemos guardar os que gostamos por muito tempo. "
E Colette daqui a quinze anos ? " Amanhã, é amanhã ! Estamos aqui hoje e tudo está sempre acontecendo ", acrescenta Sarah. Uma loja Colette fora de Paris ? Nem pensar. Mesmo se a Sarah organiza " pop up stores " (lojas efêmeras) em Tóqui ou em Nova Iorque, e viaja muito, ela prefere Paris para plantar as sementes das modas de amanhã, mesmo que o negue. E nós ficamos muito contentes que assim seja.
Colette: 213, rue Saint-Honoré, Paris 1er (colette.fr). De 4 a 21 de julho, exposição do fotógrafo Koto Bolofo.
Texto : Catherine de Montalembert
Fotografia : Jean Marie del Moral