A principal leiloeira francesa propõe há dez anos uma diversidade espantosa de obras e objetos.
Ao entrar na casa de leilões Artcurial, fundada em 2002 e situada no rond-point dos Champs-Élysées, temos a impressão de penetrar num mundo reservado aos ricos, ou mesmo aos muito abastados. É um lugar onde os milhões se contam como bolhas de champanhe. No entanto, é um lugar aberto a todos. Entramos no Hotel Dassault como numa casa em vez de uma sala de vendas. «Vendido!» São 21 horas e o martelo desfecha seu golpe. No dia 6 de dezembro de 2011, foi batido um recorde mundial. Pintado em 1954, o quadro Nu couché de Nicolas de Staël torna-se a obra de arte mais cara vendida em Paris em 2011. Depois de uma árdua batalha entre seis leiloeiros na sala e ao telefone, um colecionador americano arremata a pintura por 7 milhões de euros. «É estressante mas fantástico. Assistimos e participamos de um grande espetáculo onde tudo está suspenso por um fio. Até o final não há certezas», explica Martin Guesnet, entusiasmado. Perito em arte contemporânea, o diretor associado participou na fundação da casa. Ele viveu a venda da sua «obra de eleição» em direto na sala. Um telefone numa mão, a outra levantada, ele incarna a voz dos seus clientes que não puderam se deslocar e apresenta os lances.
Com 17.800 lotes classificados em 40 categorias durante o ano de 2011, a Artcurial é pelo oitavo ano consecutivo a principal leiloeira francesa. Ela é número um no mercado mundial do orientalismo e das revistas em quadrinhos, assim como líder europeu nas vendas de automóveis de coleção e no design moderno e contemporâneo. Mais da metade do seu volume de negócios é realizado graças a compradores estrangeiros, de 40 nacionalidades diferentes.
Na sala de vendas, o mundo inteiro comunga, numa concentração extrema. Francis Briest é leiloeiro e co-fundador da maison Artcurial. «Um leilão é um pouco como uma corrida de longa distância. No início não se vai muito rápido, para não perturbar ninguém, até se atingir um ritmo de cruzeiro.» Como um maestro, o homem do martelo, por trás do seu púlpito, orquestra os fios da ação, lançando um olhar atento ao menor sinal do comprador discreto no fundo da sala. «É verdade que se trata de uma competição, acrescenta Martin Guesnet. Mas quando baixa a adrenalina, começa tudo do zero novamente e partimos uma vez mais rumo ao desconhecido.» Pesquisar quadros, efetuar inventários, fazer a perícia das obras… Essa fase de prospecção leva, em geral, de três a quatro meses, até a realização do catálogo, três semanas antes da venda. Um trabalho minucioso e movido pela paixão. Depois de dez anos, a Artcurial tem uma reputação sólida e uma rede de clientes, de colecionadores, de notários e advogados. Pela sua audácia e a sua perícia, a Artcurial faz a inveja de muitos e demonstra que «haverá sempre um mercado para coisas belas».
Artcurial : 7, rond-point des Champ-Élysées, Paris 8e (artcurial.com et 01 42 99 20 20).
Texto: Oriane Laromiguière
Fotografia: Thierry Bouët