O museu das artes aplicadas, que festeja este ano o seu 130º aniversário, incentiva o diálogo entre a indústria e a cultura, a criação e a produção
«Uma colmeia!» São as palavras espirituosas da Presidente das Artes Decorativas, Hélène David-Weill, para ilustrar a vida intensa que reina nessa ala do Palácio do Louvre, onde está instalado o organismo privado, reconhecido como sendo de utilidade pública e beneficiando do apoio do Estado. « Les Arts Déco » foram criadas em 1882, no rastro das exposições universais, por colecionadores, mecenas e profissionais preocupados com a valorização das belas artes aplicadas e em tecer laços entre a indústria e a cultura, a criação e a produção. Ao longo do tempo foi se constituindo uma coleção única de objetos de arte, da moda e da publicidade. Hoje, 700.000 peças são testemunhas da arte de viver e da estética desde a Idade Média até os nossos dias.
Béatrice Salmon, diretora desde 2000, redesenhou o museu: «Em 2006, mais do que a simples reabertura depois das obras, foi dado um novo impulso. Ainda que assumindo o passado, reafirmamos uma identidade, uma visibilidade, demos uma nova coerência ao acervo do museu que, pela sua essência, era variado.» Foi portanto privilegiada a transversalidade e o diálogo entre épocas e objetos. «Ao estilo prefiro o gosto, esse gosto representado por aqueles que criaram o objeto ou que o encomendaram.» Para refletir a extrema variedade das coleções, foi necessário repensar os espaços. Aos dedicados à moda e à publicidade, adicionaram-se a galeria das jóias, a dos brinquedos, as galerias de estudos e da atualidade onde intervêm regularmente designers, criadores e artistas. Quanto à grande nave que acolhe os visitantes, ela recobrou o seu esplendor.
O museu optou por «salas de época» onde mobiliário e objetos se inscrevem pedagogicamente na cronologia. A biblioteca está equipada com as tecnologias mais modernas, os ateliês de restauro estão reativados, os laços com a universidade foram reforçados, o círculo dos amigos e mecenas do museu foi alargado. Cada exposição, restauro ou aquisição são financiados pelo mecenato público e privado. Um coleção extraordinária de 3.700 botões datando do século XVIII ao século XX, classificada como obra de interesse patrimonial importante, vai aliás ser leiloada muito em breve. Para a adquirir e salvaguardar, Les Arts Déco procuram mecenas generosos… Contando com um ativo de mais de 60 exposições, cerca de quarenta livros publicados, 13.000 peças adquiridas e mais de 2 milhões de visitantes, Les Arts Déco figuram em quarto lugar entre os museus da França (segundo a classificação geral do Journal des arts). Um sucesso para um museu que reabriu há cinco anos.
Les Arts Décoratifs : 107, rue de Rivoli, Paris 1er (lesartsdecoratifs.fr).
Texto: Catherine de Montalembert
TODOS os créditos de fotografias: © Jean Marie del Moral